A comunicação sempre foi um excelente mecanismo de convergência entre a necessidade de se relacionar e de aprender com as pessoas. As experiências, conquistas e perdas, e um sem-número de emoções que são inerentes à condição humana, sobretudo quando registradas em folhas de papel em branco ou nas telas dos computadores, constitui-se em uma extraordinária oportunidade dos seres humanos aprenderem com as experiências alheias.
É por esta razão que decidimos utilizar este espaço do jornal PMDB em Ação para oferecer ao nosso leitor uma proposta de reflexão sobre os princípios que regem a nossa vida em sociedade e que também devem nortear a atividade política. Um desses princípios que entendemos ser essencial e ao mesmo tempo de difícil compreensão é a GRATIDÃO. No ambiente político, em que o envolvimento das pessoas com os propósitos de quem governa são fundamentais e que, portanto, a gratidão torna-se um elemento vital nesta relação, nem sempre se é percebida, muito menos o tão esperado e estimulante reconhecimento, fomentando assim o desestímulo das pessoas do bem que escolheram a política como vetor de sua realização profissional. O cenário, todavia, pavimentado pela ingratidão, torna-se ideal para a canalhice e a solidificação do descrédito da população em relação à classe política.
É preciso observar que tudo o que diz respeito à vida das pessoas em sociedade, quando esta é democrática, passa pelas mãos daqueles que são os operários da política, portanto, há que se construir um ambiente em que essas pessoas sejam valorizadas, contribuindo sensivelmente na atração de bons profissionais para o setor, além de seres humanos capazes de se doar a um determinado projeto, sem a culpa de estarem privando sua família de um justo conforto, que teria, se optasse por um outro campo profissional.
A capacidade de ser grato deve ser uma prática constante na vida e especialmente no setor político. Não podemos aceitar que indivíduos descompromissados e de caráter duvidoso sejam absorvidos por este setor, sobretudo quando esses indivíduos, notoriamente, não foram aceitos em nenhum outro segmento da sociedade. A qualidade que a sociedade tanto anseia e clama para o setor político brasileiro, tem uma forte relação com a ingratidão, sempre presente, e que colabora diuturnamente para que este clamor não seja atendido. Entretanto, continuaremos lutando para mudar este quadro e através de um comportamento ético e sempre pensando e agindo em prol daquilo que entendemos ser o correto, conseguiremos sensibilizar as pessoas a valorizarem os milhares de homens e mulheres desse país que lutam todos os dias por uma sociedade mais justa, democrática e que exerça a gratidão, como um princípio elementar na vida em sociedade.
O reconhecimento, ou, a gratidão, se assim preferir, sempre será o fio condutor de um projeto vencedor. Se queremos vencer e trazer à memória bons momentos vividos na política brasileira, precisamos urgentemente atrair boas pessoas para esta atividade, do contrário, estaremos fadados a tão-somente fornecer matéria-prima para programas humorísticos da televisão brasileira.
Chico Donato Presidente da FUG-ES